Capital Financeiro do Executivo e do Empreendedor

traço

Fev 17, 2017

Capital Financeiro do Executivo e do Empreendedor

Que tal fazer as contas?

Por Elber Mazaro


No meu último artigo falamos sobre os três capitais importantes para se empreender ou crescer na carreira, que estão sendo estudados para uma recomendação na minha dissertação de mestrado em empreendedorismo na FEA / USP.


Parte da minha pesquisa consistiu em realizar dez entrevistas com empreendedores que migraram de uma carreira executiva antes de completarem 50 anos. Estas entrevistas estão trazendo muitos “insights” e aprendizados que serão compartilhados após minha análise do conteúdo.


Achei que seria um bom seguimento para a nossa série de artigos, explorar um pouco mais os Capitais mencionados no artigo anterior, dedicando pelo menos um novo artigo para cada um dos três. Agora tenho a possibilidade de compartilhar alguns pontos que se destacaram nas entrevistas com os empreendedores ex-executivos, antes de uma análise técnica e profunda do conteúdo.


Inicio com o capital financeiro. Este que parece ser o mais óbvio dos três capitais, e que tem sido a busca principal de muitos que estão em uma carreira corporativa ou empreendendo.


O capital financeiro foi considerado fundamental pela maioria dos empreendedores entrevistados, principalmente no início do empreendimento. Não necessariamente para se investir diretamente na empresa, mas principalmente para dar segurança e foco ao empreendedor. É necessário um lastro financeiro que permita por um período de tempo ao empreendedor assumir o risco necessário e tomar as decisões com foco em um plano feito para o negócio, ao invés de ficar pensando apenas em como pagar as contas pendentes, ou seja, “vender o almoço para comprar o jantar”.


O executivo apesar de se encontrar em posição privilegiada para acumular capital financeiro, muitas vezes cai na armadilha do glamour e do status, elevando seus gastos excessivamente para criar uma imagem bacana, e assim com um custo de vida elevado ele acaba guardando pouco para o futuro, principalmente se tiver o sonho de empreender.


Controlar o custo de vida, preferencialmente com um estilo simples e desapegado do consumismo, ajuda muito na poupança que dará segurança nos momentos difíceis típicos do inicio de um empreendimento. Normalmente novos negócios não possuem crédito e vai demorar um pouco para estarem no ponto de receber investimento. Além do mais, porque um fundo vai investir no seu negócio se você mesmo não investir e demonstrar que sabe cuidar do seu dinheiro?


O excesso de capital financeiro também pode ser prejudicial. Segundo muitos dos empreendedores entrevistados,  ter muito capital pode fazer com que o executivo ou o empreendedor se acomode. Ele fica em uma zona de conforto e passa a procrastinar ações e decisões com foco em eficiência, sustentabilidade e vendas, uma vez que tem recursos financeiros para um período longo. Perde-se o senso de urgência, porque se tem recursos para um período normalmente superior a um ano.


Um ponto relevante para o planejamento do capital financeiro está relacionado a aposentadoria e a empregabilidade. Muitos executivos relataram que pensaram em empreender por entenderem que a vida executiva esta cada vez mais curta, ou seja, a média de idade dos executivos está reduzindo e o tempo em que o executivo mantém sua empregabilidade também.


Portanto, os profissionais precisam acumular recursos financeiros para o futuro e começar isto o quanto antes. Além de entenderem que precisam guardar para a aposentadoria, também precisam se planejar para a carreira empreendedora, caso esta seja a opção.


Um dos pontos ressaltados por aqueles com quem conversei é a importância de se iniciar um negócio da maneira correta, em termos de estrutura, pessoas, processos etc. Deve-se seguir as leis, mesmo que não se concorde com elas e trabalhar com a ética e profissionalismo, essenciais para a perenidade e sucesso.


Algumas preocupações relatadas por empresários e empreendedores de sucesso, indicam que o capital financeiro pode ser aplicado para contratar as pessoas certas (boas) para o negócio desde o início, para se desenvolver o modelo de incentivos, para capacitação/treinamento de pessoal, e até para pagar consultorias e profissionais de RH, contabilidade, jurídico etc., mesmo que terceirizados. Tudo isto tem um custo e a sabedoria dos negócios mostra que o custo é maior ainda quando não se tem esta preocupação com a administração e os processos desde o início.


O capital financeiro também suporta o investimento para aumentar os outros dois capitais que iremos discutir: Capital Intelectual e Capital Social. Ele pode bancar os cursos, os encontros e outras atividades necessários para o desenvolvimento do tripé de capitais apontados como  necessários para o equilíbrio do negócio.


Os riscos também impactam o capital financeiro e vice-versa. Enquanto um executivo pode ser demitido e perder a sua renda, e aí necessitar do seu capital financeiro para sustento no dia-a-dia por um determinado período, o empreendedor pode em função do seu negócio perder todo o seu patrimônio, por problemas com a empresa, envolvendo por exemplo questões trabalhistas, impostos e outras pontos de gestão.


Ficam então algumas perguntas para reflexão:


Você sabe qual é o seu custo de vida hoje?


Você tem capital para ficar sem renda por quanto tempo?


Quanto custa para montar o negócio dos seus sonhos? Independente da resposta, pode aumentar este número, porque é como reforma/obra em casa onde sempre vão surgir surpresas para fazer o seu orçamento estourar.


Qual é o capital que você deseja arriscar e qual precisa ser preservado para o futuro?


Se o seu negócio ou ideia é tão bom, porque você não seria o primeiro e o maior investidor nele?


Quando é a hora de parar de perder dinheiro e repensar as suas opções/ações? Em quanto tempo?


Responder as questões acima, permitem uma avaliação quantitativa e qualitativa do seu capital financeiro e quão preparado você está para o futuro da sua carreira ou para empreender.


Esta reflexão ajuda a trazer consciência sobre a sua posição em relação aos desafios relacionados ao capital financeiro, mas também preciso alertar para uma frase de um empreendedor de sucesso que me disse que assim como o excesso de capital pode ser negativo, o excesso de informação e consciência podem te “paralisar” e te fazer desistir de muitos sonhos.


Ele citou que se no início da sua transição para empreendedor ele soubesse de todos os problemas, riscos e obstáculos pelos quais passaria em 15 anos de empresa, ele jamais teria iniciado seu processo e isto teria sido uma pena (um arrependimento), pois não teria a empresa, as realizações e a satisfação /felicidade que conseguiu devido a certa “ignorância” momentânea.


Que tal fazer as contas?


 


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