Motivações e Necessidades

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Ago 28, 2017

Motivações e Necessidades

Elementos do processo de transição para empreendedor.

Por Elber Mazaro


Finalmente conclui a dissertação para o programa de Mestrado Profissional em Empreendedorismo da FEA/USP. A defesa será em breve, mas agora posso retomar a frequência dos artigos e garanto que há muito conteúdo e aprendizado para ser compartilhado, após este processo de quase dois anos e meio. Lembrando que o tema da dissertação é a proposta de um processo de transição de executivos para o empreendedorismo.


Os últimos artigos, além de discutirem o início do processo com um exercício de autoconhecimento, relataram uma nova abordagem que propus ao Planejamento Estratégico Pessoal, usando conceitos de inovação e administração, resumidos na forma de gestão de três capitais: o intelectual, o financeiro e o social.


Na conclusão da pesquisa realizada para a dissertação eu trago uma proposta de processo para a transição dos executivos para funções empreendedoras e independentes. Esta proposta se baseia em três pilares pesquisados na teoria e na prática:



  1. Percepções sobre o Empreendedorismo – como o executivo vê o empreendedor e quais são as principais características diferenciadas de perfil e comportamento que devem ser consideradas quando se avalia uma transição;

  2. Transição de Identidade de Carreira – modelo não convencional, desenvolvido pela pesquisadora e autora Herminia Ibarra e que pode ser utilizado, com algumas ferramentas e abordagens específicas, para suportar uma transição de carreira como a considerada por executivos para o empreendedorismo e;

  3. Planejamento Estratégico Pessoal – conceitos normalmente aplicados a empresas, que devidamente adaptados permitem a utilização de técnicas para o planejamento pessoal, neste caso ajustado para suportar o processo de transição estudado.


Resumindo o processo proposto para a transição de executivo a empreendedor, pode-se entender que ele deve ser iniciado com um exercício de autoconhecimento (último artigo), e seguir em paralelo por dois eixos de atividades: um, de entendimento das percepções sobre o empreendedorismo e as diferenças em relação ao comportamento e perfil do executivo; outro, de planejamento estratégico pessoal, como preparação para tudo o que envolve a transição.


A consolidação do processo ocorre com práticas de transição de identidade de carreira, que ocorrem em ciclos e basicamente representam a vivência da transição em si. Toda a prática pode ser conduzida seguindo-se a dinâmica conhecida como PDCA (Plan, Do, Check, Adjust), de planejar, executar, avaliar e ajustar o plano e reiniciando o ciclo.


Complementado o que foi abordado sobre a base do processo, reforço que o autoconhecimento aplicado à transição de executivo a empreendedor deve considerar quais características profissionais podem ser aproveitadas no mundo empreendedor e quais podem ser um obstáculo ou desafio. Algumas das questões que podem ser levantadas neste exercício são:



  • Quais são as necessidades e motivações?

  • O que é fundamental para o profissional?

  • Será que tem o perfil para ser empreendedor?

  • Como será o comportamento em determinadas situações comuns a quem monta o próprio negócio?


Como já comentei, os últimos artigos se referiam ao terceiro pilar de Planejamento Estratégico Pessoal e à minha sugestão de abordagem simplificada com a Gestão dos Capitais. Agora entrando mais diretamente nos resultados que levaram a recomendação de um processo completo, retornaremos ao tema de percepções sobre as características de perfil e comportamento do empreendedor que se diferenciam das comuns a um executivo.


A pesquisa teórica / bibliográfica que foi além da tradicional abordagem de uso de ferramentas, como Web of Science e Google Acadêmico, aproveitando-se de levantamentos empíricos na mídia da época (ano de 2015, principalmente), em literaturas e eventos do segmento empreendedor e de conteúdos e especialistas participantes da aulas e atividades curso de Mestrado Profissional em Empreendedorismo da FEA – USP, para apontar os principais fatores (diferentes) do perfil do empreendedor que devem ser conhecidos pelo executivo quando se avaliar a possibilidade de transição. São eles:



  • necessidade de realização;

  • sonho e propósito;

  • capacidade de execução flexível e

  • inovação.


A sequência da pesquisa, contou com a análise do conteúdo, sobre as entrevistas em profundidade semiestruturadas realizadas com dez executivos que vivenciaram pelo menos uma transição, e a análise dos resultados, apontou que os itens de perfil e comportamento do empreendedor em contraste com as características de executivos, que formam os fatores críticos para consideração num processo de transição, são:



  • motivações/necessidades: realização e ajudar as pessoas;

  • visão: empreendedora de oportunidade;

  • empreender onde conhece e gosta;

  • aceitar risco maior;

  • desenvolver flexibilidade e capacidade de aprendizado contínuo;

  • buscar inovação constante e

  • aplicar onde pertinente a experiência anterior, executiva e empreendedora.


Esse eixo de entendimento das percepções sobre o empreendedorismo do processo proposto recomenda entender as principais características e demandas do empreendedorismo que diferem do típico perfil do executivo e, portanto, podem demandar uma adaptação ou gerar uma confirmação da escolha pela transição ou mesmo apresentar um obstáculo que pode dificultar ou inviabilizar uma transição bem-sucedida.


Ele se inicia percebendo-se que os empreendedores costumam ter como principais necessidades e motivações a realização e a ajuda às  pessoas, versus a conquista de recursos financeiros, ou de poder e influência, ou mesmo de qualidade de vida, comumente elencadas e por isso chamadas de mitos do empreendedorismo. As necessidades e motivações podem ser mapeadas de muitas maneiras, mas, na pesquisa, a busca por Realização destacou-se, tanto na pesquisa bibliográfica, quanto na pesquisa qualitativa.


Ficou claro nesse estudo que os executivos costumam construir sua carreira corporativa, em busca de poder, reconhecimento, conforto e segurança, enquanto a maioria dos empreendedores buscam a satisfação por conseguir realizar um projeto, como abrir uma empresa, resolver um problema, ofertar um produto ou serviço, muitas vezes inovador, e atingir resultados que podem trazer algum impacto ou contribuição em diversos níveis.


Outro grande motivador para os empreendedores é, de alguma forma, poder ajudar pessoas e a sociedade em que vivem, por meio da sua empresa e da sua oferta. Essa motivação é comum em executivos que trilharam uma carreira bem-sucedida e sentem a necessidade de retribuir à sociedade, ajudando aqueles com menos condições ou simplesmente resolvendo um problema ou atendendo uma demanda com seu empreendimento.


Você sabe quais são as suas motivações e necessidades?


A pesquisa apontou as mais comuns, citadas na literatura e nas entrevistas com empreendedores que já foram executivos, sendo a maioria deles bem-sucedidos, mas não significa que se você não é motivado por realização ou por ajudar as pessoas, que não serve para ser empreendedor.


O que importa é ter consciência das suas motivações e necessidades e o estudo realizado oferece a chance de comparar com as mais comuns no empreendedorismo, para apoio de uma reflexão, independente do seu momento e posição.


Vamos explorar nos próximos artigos os demais elementos do processo proposto, dando sequência no eixo de percepções sobre o empreendedorismo relevantes aos executivos que buscam transição, iniciado aqui. Até breve.


 


Imagem: Designed by Freepik


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