O Capital Social do Executivo e do Empreendedor!

traço

Mai 02, 2017

O Capital Social do Executivo e do Empreendedor!

O que você tem feito pelo seu Capital Social?

Por Elber Mazaro


Chegamos ao terceiro artigo sobre os três capitais-chave para o executivos e empreendedores administrarem na busca de seus objetivos.


Após analisarmos a importância do capital financeiro e do capital intelectual, chegou a vez do capital social, que se refere a rede de relacionamentos construída e gerida por executivos e empreendedores, ou seja qualquer pessoa.


Lembrando que estes artigos são relatos de análises e insights que resultam principalmente, da minha pesquisa de mestrado, com foco no processo de transição de executivo para empreendedor, onde tive a chance de fazer um levantamento teórico sobre o tema, além da realização de entrevistas em profundidade com dez executivos empreendedores que fizeram uma ou mais transições do mundo corporativo para o empreendedorismo. Também trago minha experiência própria e muito do meu trabalho como mentor, assessor e consultor profissional, para construir esta visão que compartilho aqui.


O capital social foi apontado por muitas pessoas que entrevistei, como o mais importante dos três discutidos (financeiro e intelectual), porque você pode não ter os recursos financeiros ou mesmo os conhecimentos necessários para conduzir uma empreitada, mas se você conhecer as pessoas certas com estes dois capitais e souber gerenciar bem estes relacionamentos, você conseguirá seguir adiante na direção dos seus objetivos.


Quando falamos de capital social todos imaginam a sua rede de relacionamentos e normalmente apenas os contatos profissionais ou apenas os mais próximos. Na verdade todo tipo de relacionamento que agregue pessoas à sua rede, mesmo que sejam contatos superficiais e pouco frequentes devem ser considerados ao se avaliar e desenvolver o seu capital social.


Nas mentorias com foco em planejamento e gestão de carreira, buscamos mapear a rede de contatos com pesos de 1 a 5, para a proximidade do contato, onde familiares chegados tem peso 5 e pessoas que você conheceu em um evento profissional e com quem trocou cartões de visita, tem peso 1, desde que estas pessoas se lembrem deste momento e de quem você é, caso contrário não entram na rede.


Também mapeamos da mesma forma o nível de influência e poder, com pesos de 1 a 5, onde o presidente de uma empresa com muitos contatos e influência na sua área de interesse ou atuação, tem peso 5 enquanto contatos nada relacionados aos seus interesses e distantes, tem peso 1, como aquele primo de segundo grau, que você vê uma vez a cada cinco anos e tem um sítio de produção de flores, caso sua área de interesse seja totalmente diferente.


Assim como na gestão dos demais capitais, é necessário investir e acumular capital social. Muitas pessoas apresentam dificuldades na busca da expansão de sua rede de contatos, são tímidas, não sabem como abordar desconhecidos, ou mesmo não entendem quais são as ações que podem contribuir para crescer seu capital social. A sugestão é buscar situações e eventos que te permitam conhecer gente nova, em ambientes onde você tenha algo para aprender e agregar também. Ter um “pitch” pessoal, objetivos bem definidos e um plano, ajudam a orientar os esforços para expansão do seu capital social.


Não vale lembrar das pessoas, que são a essência do capital social, apenas quando você precisa delas, como na busca por um emprego ou para pedir dinheiro emprestado. A gestão do capital social deve ser constante, com atenção, respeito, e interesse genuíno nos relacionamentos, que são vias de duas mãos. Retornar contatos, quando estiver com a pessoa dedicar tempo e atenção, estando realmente presente, ajudar aos outros sem interesse, conhecer e compartilhar histórias de vida, fazer o bem, evitar reações irracionais, são alguns dos bons hábitos que devem ser cultivados diariamente.


Nas entrevistas com os executivos empreendedores que fiz, ficou muito claro o papel central do capital social, quando executivos crescem na carreira em função da boa gestão dos seus relacionamentos, colecionando aliados versus inimigos, o que é chamado de boa política, por alguns. A maioria dos empreendedores que conheço, conseguiu seus sócios e primeiros clientes, através da sua rede de relacionamentos e contatos, sendo que alguns continuam quase que dependendo exclusivamente do desenvolvimento deste capital para fazerem negócios, mesmo dez anos após o início do empreendimento.


Então, vale a máxima de que não basta quantidade, e sim também qualidade para que você seja “rico” no quesito capital social. E também não é só acumular cartões de visita e contatos, mas é importante conhecer as pessoas, seus interesses, valores, coisas em comum contigo para efetivamente desenvolver/crescer a  sua rede.


Agora, assim como nos demais capitais discutidos em outros artigos, no capital social também pode existir um lado negativo. Um dos entrevistados da minha pesquisa deixou claro que para seguir adiante com seu empreendimento, teve de literalmente, ignorar várias pessoas de sua rede de contatos, que diziam que ele estava louco ao largar sua vida executiva confortável para ir empreender com tecnologia.


É preciso buscar diversificar sua rede, se não haverá um viés muito forte na pensamento de gente muita parecida. Nas transições é importante buscar novos ambientes, novos contatos e relações. Uma empreendedora me disse que foram precisos muitos anos para sua rede nova superar a quantidade de pessoas que tinha no mundo executivo, mas que ficou feliz ao perceber que ela era um elo importante de ligação de duas redes que pouco se falavam, ou seja não é que ela trocou um grupo de relacionamento por outro e sim que sua transição fez com que ela adiciona-se um grupo novo, relacionado ao empreendedorismo.


Outro aspecto para se observar e filtrar, relatado por um entrevistado, é a de cuidar da sua reputação em todos os momentos, pois ela ajuda na construção do seu capital social, como na abertura de portas. Teve empreendedor que conseguiu crédito com fornecedores no início do negócio com base no relacionamento e na sua reputação profissional. Outro, conseguiu recrutar profissionais muito competentes graças a sua história de gestão e relacionamentos construtivos, então as pessoas queriam empreender com ele. Também ouvi casos de apoio emocional e psicológico, principalmente da família, no processo de transição.


Quem na sua rede influencia suas ideias, de maneira positiva e também de maneira negativa?


É importante identificar de onde vem as contribuições e se blindar das influências negativas, pois muitas vezes elas podem vir de muito perto. Recentemente em dois casos eu vi a própria mãe que morava com a pessoa, apesar de ter a melhor das intenções, ela acabava desestimulando-a, criticando-a e até em alguns momentos estressando-a ao extremo.


Também existem amigos e colegas de trabalho ou estudo que podem ter este papel negativo. Não é necessário se distanciar, até porque algumas destas pessoas também trazem experiências positivas, afeto e outras contribuições, mas é importante selecionar bem o que deve realmente ser considerado e o que deve ser descartado, sem criar atritos ou conflitos. Em alguns casos não há escolha.


Eu recomendo que as pessoas avaliem sua rede e seu capital social para poderem eleger mentores e até um “board” com pessoas que respeitam, admiram e tem abertura e vontade para te aconselhar, orientar e até ajudar em áreas específicas, tanto profissionais como pessoais. Isto costuma ser mais efetivo do que você sempre recorrer apenas àquele pequeno grupo de melhores amigos. O conhecimento popular diz que é sempre bom ter um amigo ou parente advogado e um bom médico.


A gestão do capital social implica em ter consciência da sua rede de contatos, dos seus relacionamentos e definir seu papel, ou seja suas ações, para evoluir o tempo todo, em quantidade e qualidade o seu capital social.


O que você tem feito pelo seu Capital Social?


Tá na hora de dar uma atenção maior para seus relacionamentos, ou seja para as pessoas?


As sua chances de sucesso aumentam muito se você tiver um bom capital financeiro, intelectual e social, tanto em quantidade como em qualidade.


Estes artigos com foco nos três capitais são um resultado do enorme aprendizado que tive com os estudos do mestrado em empreendedorismo e das experiências profissionais e de vida até o momento, e provavelmente irei explorar com muito mais profundidade no futuro, portanto se você gostou, aguarde. ;-)


 


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